Cirurgia da ObesidadeDr. Luiz Alberto de Carli - Cirurgia da Obesidade

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Classificação

Para fins de identificação e classificação do grau de obesidade, a definição aceita atualmente pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (SBCB), pela Federação Internacional de Cirurgia de Obesidade (IFSO) e pela Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica (ASBS) é aquela baseada no índice de massa corporal. Ela fornece as classificações comumente aceitas pela comunidade científica internacional, conforme tabelas 1 e 2.

Tabela 1

IMC* Categoria
Até 24,9 Saudável = Eutrófico
25 - 29,9 Sobrepeso
30 - 34,9 Obesidade Leve = Grau 1
35 - 39,9 Obesidade Moderada = Grau 2
40 - 49,9 Obesidade Mórbida = Grau 3
50 - 59,9 Superobesidade
> 60 Super-superobesidade
* Índice de Massa Corporal (ASBS)

Fonte: Gastrointestinal surgery for morbid obesity National Institutes of Health Consensus Development Conference Statement Am J Clin Nutr 55 (4): 615-619, 1992

Tabela 2

IMC** Categoria
Até 24,9 Saudável
25 - 29,9 Sobrepeso
30 - 34,9 Obesidade Classe I
35 - 39,9 Obesidade Classe II
> 40 Obesidade Classe III
** Índice de Massa Corporal (OMS)

A obesidade leve e moderada foi investigada durante muitos anos, porém, até o fim do século passado, pouco se discutiu sobre os problemas particulares, riscos, morbidade e mortalidade dos severamente obesos. É nos jovens e nas pessoas de meia-idade que a obesidade mórbida é encontrada com mais frequência, e, quando essas adoecem, um número elevado é internado nos hospitais e, em especial, nos centros de tratamento intensivo desses nosocômios.

Muitas teses foram propostas para explicar o consumo alimentar exagerado. O obeso severo não come apenas quando faminto, nem se alimenta em excesso pelo sabor da comida. Em realidade, o obeso pode ser taxado como um viciado. E, enquanto vício, a superalimentação é desenvolvida de acordo com alguns hábitos e fatos culturais. Como vimos, a alimentação na sociedade ocidental, o estilo sedentário de vida e os costumes em determinados grupos societários, raciais e étnicos podem promover a doença.

A obesidade severa pode acontecer por uma série de distúrbios orgânicos do sistema nervoso central. São, no entanto, casos raros. Via de regra, esses indivíduos não são candidatos ao tratamento cirúrgico da obesidade mórbida. O hipotireoidismo e a síndrome de Cushing podem se associar a uma obesidade leve ou moderada, mas dificilmente a uma obesidade severa. O diabetes não insulinodependente em adultos costuma se associar ao obeso moderado, mas raramente ao obeso mórbido.

Como se vê, são muitos os motivos que fazem da obesidade mórbida uma doença tão complexa, repleta de riscos à sobrevida do obeso clinicamente severo. Uma avaliação das desvantagens socioeconômicas e psicossociais ultrapassa a mera conceituação do significado da obesidade mórbida; contudo, se enfatizamos esses aspectos, é porque eles são os que mais contribuem para a deterioração da qualidade de vida do paciente.

Considerando os perigos orgânicos e a menor expectativa de vida da pessoa obesa, tanto os meios de diagnóstico como a busca de uma solução duradoura para o excesso de peso são indicados desde o início da vida. Qualquer abordagem que busque a sobrevida, com a menor morbidade possível, é uma boa alternativa para a obesidade não tratada. Assim, o tratamento cirúrgico associado ao apoio multidisciplinar é tido, atualmente, como uma solução segura, com resultados permanentes no tratamento do obeso clinicamente severo. A cura da obesidade mórbida não significa apenas a eliminação de um problema orgânico, mas a garantia de uma vida melhor para o paciente e seus familiares, além de um impulso para a prosperidade social.

Bem como os critérios conceituais e os meios diagnósticos para a identificação da obesidade mórbida, a cirurgia bariátrica para tratamento da obesidade clinicamente grave também possui carências quanto à padronização e avaliação dos resultados. A ASBS (American Society of Bariatric Surgery), a IFSO (International Society for the Surgery of Obesity) e a SBCB (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica) indicam a perda percentual do excesso de peso como parâmetro de perda ponderal, ou seja, como critério para a avaliação do êxito da cirurgia da obesidade mórbida. Esse parâmetro também entra na avaliação BAROS.

O cálculo da perda percentual de excesso de peso (PEP%) é simples. Calcula-se o excesso de peso (EP) subtraindo-se o peso ideal (PI) do peso atual do paciente (PA), e extraindo-se a porcentagem referente ao peso perdido (PP).

EP = PA – PI
PEP% = 100 x PP / EP = 100 x PP / (PA – PI)

Para o entendimento conceitual dos resultados da cirurgia bariátrica perante a obesidade mórbida é necessário compreender o significado do peso ideal. A definição de peso ideal, conforme orientação da ASBS, da IFSO e da SBCB, obedece aos estudos das empresas seguradoras, para as quais o peso ideal baseia-se em mortalidade mínima e longevidade máxima. Ele está, portanto, abaixo do peso médio da população e não corresponde ao peso médio da normalidade do índice de massa corporal (IMC = 22,5).

Fonte bibliográfica:
Silva, Renato Souza da. Videocirurgia/organizadores, Renato Souza da Silva, Luiz Alberto De Carli; autores: Adriana Sales Finizola... [et al.]. – Porto Alegre: Artmed, 2007.

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Participe das reuniões abertas ao público entre os pacientes operados e em pré-operatório e seus familiares onde são apresentadas palestras sobre a cirurgia da obesidade pelos membros da equipe multidisciplinar.

A próxima reunião será no dia 20 de novembro de 2019, às 19h.
Anfiteatro da Oncologia do Centro Clínico do Hospital Moinhos de Vento, Rua Tiradentes, 333 - 2º Andar - Fone (51) 3314 3434

Se preferir você pode marcar uma consulta com o Cirurgião e Coordenador do Grupo, Dr. Luiz Alberto De Carli.

Após a primeira avaliação, o paciente será orientado quanto a necessidade de cirurgia e tipos de cirurgia adequados ao caso, também será encaminhado para consultas com a equipe multidisciplinar e para a realização dos exames pré-operatórios.